Por que minha xícara balança?

Quanto mais treme a xícara que está em suas mãos, maior foi o sentimento que o abateu… Isso já dizia minha avó, quando eu era uma criança. Em cima disso, fico pensando nossa situação nos dias de hoje, de nossa existência hoje no mundo. Com a divulgação de notícias em alta velocidade, com o acúmulo de más notícias que recebemos diariamente, com a gravidade de como acontecem as coisas pelo mundo, não nos deixam muitas marcas mais e a xícara não treme em nossas mãos mais…

Nós vemos crianças sendo subjugadas, nós vemos nossos irmãos humanos sendo massacrados, nós vemos dia a dia, mais e mais sofrimentos, maldades executadas por nossos irmãos humanos contra nossos irmãos humanos… Nossos noticiários televisivos ou radiofônicos só trazem-nos desgraças, só trazem más notícias. Nós cultuamos tudo de mal que acontece, deixamos de valorizar as coisas boas da vida, raramente se algo de alento nos informativos; a proporção de coisas inúteis e más é imensamente maior que as boas notícias, as alvissareiras notícias, e elas existem… Só não a valorizamos…

Nós aprendemos a valorizar mais o choro da perda que o sorriso da conquista. Quando conquistamos algo, não partilhamos com ninguém porque existe um medo muito que forte de que haja um mau agouro em cima.

Estamos andando para trás, para com nossa saúde mental. Estamos nos fechando, nos isolando diante do mundo para protegermos bens supérfluos, bens materiais… Estamos a cada dia nos esquecendo do bem Maior que o universo nos dá que é a correlação com nossos irmãos. E parece que quanto mais nos protegemos, mais a maldade aumenta… É apocalíptico isso… O mundo jamais irá acabar como se diz nas religiões, mas tem muita chance de as coisas piorarem. Nós estamos criando essa situação… Não sabemos aonde vamos parar.

Estamos endurecidos, de corações endurecidos cada vez mais ante ao que acontece ao mundo. A desgraça que acontece da porta para fora de nossa casa, não é nada grave, não nos afeta. A desgraça só nos abate quando acontece dentro de nossos domínios. E aí não há ninguém para compartilhar nossa dor, porque não somos mais irmanados de uma maneira que compartilhamos com a dor dos outros, só nos interessa a nossa própria dor.

Qual seria o tamanho da desgraça a acontecer fora da minha porta de entrada na rua para que minha mão tremesse, para que o líquido de minha xícara balançasse…

Não sei…

#Disse
Carlos Leonardo

 

 

Publicado originalmente no blog “Divagando a Notícia” em 01/05/2015.

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