Porque sou contra o PT e seus derivados sindicalistas

Vou contar uma pequena estória , real , ocorrida lá pelos idos dos anos setenta, numa pequena cidade interiorana do estado de São Paulo, minha cidade natal.
Eu, um empolgado recém-admitido junto ao extinto Banespa, caia de paraquedas no meio de uma campanha salarial da classe bancária.
Estava nascendo, a famosa criadora de dificuldades ao povo, chamada CUT e seu Lula era um mero sindicalista em evidência. Por interesses afins, uniam-se, os sindicatos dos bancários em sua campanha salarial e dos ruralistas com reivindicações que não sei mais quais eram, porém o estrago era grande nas cidades onde eles se apresentavam a protestar.
Um banespiano sindicalista, que tenho amizade até hoje, apesar de suas convicções políticas, que não se cansa de amaldiçoar os maléficos banqueiros, esquecendo-se que fez sua vida e de sua família às custas dos pagamentos efetuados por eles, representava a CUT na cidade. Naquela época, o PT ainda não usava camisas e bonés vermelhos, nem bandeiras; existiam apenas algumas toscas faixas com palavras de ordem sob a assinatura da CUT. Nem a famosa estrela vermelha era tão vista.
O paraquedista aqui, mais perdido que aquelas menininhas que desfilam nas passeatas de protesto que ainda hoje acontecem, está sentado ao lado do amigo, eminente representante do Sindicato, na calçada em frente à porta da agência bancária, olhando os tratores que bloqueavam as portas dela e as esquinas próximas da agência. Muita gente curiosa com o acontecimento na pequena cidade, iam e voltavam esbravejando, xingando ou simplesmente conversando entre si sobre os problemas causados pelos bancários e sitiantes à comunidade.
Tudo novidade, inconsequente… Um filme diferente passando à minha frente… Até que:
– Chega à minha frente, uma senhora trajada com roupas muito simples, roupas de trabalho. Para e me diz sem mais delongas: -“Moço, sei que vocês devem brigar pelos seus direitos, também sei que você ganha muito, mas, muito mais que eu. Eu sou velha e recebo uma pequena aposentadoria do governo. Hoje é dia de eu receber meu salário e minhas coisas acabaram lá em casa. Vocês não vão abrir mais tarde para eu pegar meu dinheirinho?”
Eu não sabia o que dizer a aquela senhora. Simplesmente baixei a cabeça e chacoalhei-a dizendo que não. Não pude olhar a expressão nas faces daquela senhora, não sei se foi de tristeza ou de raiva… Minha ficha caiu, como se diz.
Me lembro de ter levantado e dito que ia embora para casa, porque sabia que a agência não iria abrir mesmo. Meu amigo sindicalista e alguns colegas de trabalho diziam-me: – “Você vai perder seu dia de trabalho…” Simplesmente, fui embora.
Estou indo embora até hoje, há mais de quarenta anos… Quero distância de movimentos esquerdistas reivindicatórios, por mais realistas que eles possam ser.
Não se reivindica nada para seu bem, lesando o direito dos outros… E esse é o método opressivo das esquerdas pelo mundo todo.

#Disse
Carlos Leonardo.

Vamos comentar isso?

%d blogueiros gostam disto: