“O Brasil não é para principiantes” – II/IV

Luís Inácio Lula da Silva

Era, nos anos 80, um socialista revolucionário que, em geral, trabalhava contra a Ditadura Militar como um organizador sindical.

Depois que a Ditadura transacionou para Democracia em uma história estranha, longa e legal que não tenho tempo para falar aqui, Lula surgiu como uma figura política forte e presidente do recém-formado Partido dos Trabalhadores (PT).

0c6d2d_4cba239b2d8b481aaedfaba7168d44dbE o PT não tinha conseguido ganhar muita força em âmbito nacional até que Lula se tornou o que alguns brasileiros chamam de Lula-lite (Lulinha Paz e Amor). Ainda era o Lula. Ainda pelo povo. Ainda saído da parte mais pobre do País. Ainda representante dessa alma do Brasil, mas disposto a trabalhar dentro do sistema, disposto a ajudar grandes empresas, que são boa parte da economia do Brasil e como o Brasil funciona.

Depois de se candidatar a presidente e perder três vezes, Lula foi eleito em 2003 e se manteve Presidente até 2011, tempos esses dos quais ele presidiu sobre conquistas verdadeiramente extraordinárias, incluindo um programa social extremamente bem sucedido que basicamente pagava para que famílias pobres enviassem suas crianças à escola. Um programa a que se atribui a retirada de dezenas de milhões de brasileiros da pobreza.

Lula deixou o Planalto com uma aprovação nunca vista de 80%; sua ministra da Casa Civil, uma economista que também foi guerrilheira contra a Ditadura Militar e que foi capturada e torturada por eles (uma vida surpreendente que essa mulher teve e continua tendo), foi eleita praticamente como sua sucessora porque ele não poderia se candidatar a um terceiro mandato.

Agora, Lula quase nunca ficou livre de culpa, em 2005, seu governo este envolvido em um escândalo no qual membros do Congresso recebiam doze mil dólares por mês para votar da forma como Lula queria que eles votassem. Mas Lula nunca foi diretamente implicado no escândalo apesar de que muitos membros do seu governo renunciaram.bbdef-2

No Brasil, ficou tão comum que escândalos gigantes se acalmassem sem que nenhum envolvido se complicasse, tanto que eles criassem uma frase para isso. Eles chamam isso de “acabar em pizza”. E eu não estou falando de uma palavra em português que soe como pizza, eu quero dizer pizza mesmo! Bem, os dias de coisas acabando em pizza, parecem ter acabado. Por muitas razões diferentes.

Primeiro, pela proporção gigantesca do escândalo – e sim, a gente finalmente chegou ao assunto.

Petrobrás é a única petroleira brasileira, é majoritariamente de propriedade do governo e é completamente controlada pelo governo. É a maior companhia brasileira e uma das maiores companhias do mundo. É responsável por 10% do PIB do Brasil (For comparison Apple (the US’s largest company) is responsible for 0,5% for our GDP) e uma parte grande da receita do governo.

E ela gasta, como você deve imaginar, muito dinheiro em contratos de construção e é sempre mais ou menos o caso que altos funcionários da Petrobrás – e as autoridades de governo que os indicaram, porque, lembre-se, a Petrobrás é controlada pelo governo brasileiro, dariam contratos para empreiteiras que superfaturariam massivamente e o presidente da empreiteira ficaria com uma parte da diferença e a outra parte da diferença, voltaria para os políticos e empregados que você sabe, ajudaram a conseguir aquele contrato. É prática comum de corrupção, nós temos isso aqui nos EUA, nós chamamos isso de “graft” (enxerto), mas é basicamente uma companhia subornando um político por um contrato lucrativo.

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Leia também:
“O Brasil não é para principiantes” – I/IV
“O Brasil não é para principiantes” – III/IV
“O Brasil não é para principiantes” – IV/IV (Assista ao vídeo em sua íntegra)

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