“O Brasil não é para principiantes” – IV/IV

SAO PAULO, SP, 15.03.2015 - PROTESTO CONTRA GOVERNO - SAO PAULO - Manifestantes pedem o impeachment da presidente, Dilma Rousseff na tarde deste domingo, (15) no v¿o livre do MASP, na Avenida Paulista, regi¿o central de S¿o Paulo. (Foto: Vanessa Carvalho/ Brazil Photo Press).
SAO PAULO, SP, 15.03.2015 – PROTESTO CONTRA GOVERNO – SAO PAULO – Manifestantes pedem o impeachment da presidente, Dilma Rousseff na tarde deste domingo, (15) no v¿o livre do MASP, na Avenida Paulista, regi¿o central de S¿o Paulo. (Foto: Vanessa Carvalho/ Brazil Photo Press).

Em uma história que pode parecer bem familiar para as pessoas nos EUA, as mídias sociais hiper-polarizam o Brasil. As pessoas, no Brasil, passam muito tempo em mídias sociais e as bolhas de filtro (do conteúdo na internet) são tão fortes quantos as nossas. As pessoas tendem a ouvir – e, portanto a pensar – somente as piores coisas sobre o outro lado e o cinismo de todo mundo sobre os demais – o que, eu admito, é meio que justificado – resulta em uma falta de ceticismo sobre histórias negativas sobre o outro lado.

E eu não estou falando que esse é um problema exclusivo do Brasil. Mas, tipo, quando o Juiz Moro soltou uma conversa de telefone gravada na qual Rousseff pareceu dizer a Lula como ela o protegeria de ser processado, um monte de gente pensou: “Como pode alguém ainda estar apoiando essa gente, eles são obviamente corruptos”? Mas muitas outras pessoas pensaram: “Por que esse Juiz está tomando essas decisões aparentemente políticas ao trazer essas gravações a público, meras três horas depois de serem gravadas, sem o processo devido”?

Lula e Rousseff dizem que isso é um ataque 100% político, tentando derrubá-los e fazer com que os partidos de oposição ganhem o poder.
A oposição diz que eles estão 100% apenas tentando desvendar o escândalo a fundo. Até mesmo uma olhada por cima mostra que isso é definitivamente as duas coisas.IMG-20141212-WA0017

Em resposta aos índices de aprovação despencando e as múltiplas audiências para o Impeachment e também, possivelmente para protegê-lo das acusações (Members of congress and the president’s cabinet have to be tried by a different (and currently very busy) court.), Roussef nomeou Lula como seu Ministro Chefe da Casa Civil. E se isso soa suspeito, é porque é supeito. Mas, também, os partidos mais conservadores, muitos deles alimentados por classismo e racismo, estão definitivamente se aproveitando disso como uma oportunidade política para ganhar poder.

Enquanto isso na esquerda, muita gente está vendo do PT como muito centrista e obviamente, corrupto. E estão fugindo dele, em direção à esquerda e isso está criando uma divisão partidária ainda mais profunda no País.

LAVA-JATO-CHARGEMas todos os grandes partidos estão envolvidos – cinco das pessoas no comitê de julgamento do impeachment de Rousseff, estão sob investigação. Muitos dos mais respeitados líderes no País não vão sair limpos. O que significa que vai ser mais difícil para o Brasil liderar o caminho para fora desse problema.

Mas não só os subornos que são o problema, Paulo Maluf, que literalmente não pode sair do Brasil, porque ele é procurado pela Interpol, se candidatou a reeleição e ganhou, com o slogan de campanha: “Rouba, mas faz”. Lula por outro lado teve uma citação dele próprio em 1988, jogada de volta contra ele em todas as plataformas de mídia social na internet: “No Brasil, quando um pobre rouba ele vai para a prisão, quando um rico rouba, ele vira ministro. (In Brazil, when a poor man steals he goes to jail – When a rich man steals he becomes a minister)”.

Fora-dilmaMuitos brasileiros veem isso hoje como Lula prevendo seu próprio futuro, agora, isso é tudo ruim para o Brasil no curto prazo, mas acho que é bom para o Brasil no longo prazo. Porque isso mostra que ser um político corrupto não vale a pena.

Agora, sobre o que acontecer amanhã ou depois ninguém sabe. É uma situação ruim e os brasileiros em geral, são muito cínicos em relação ao governo, mas eles também são muito pragmáticos. Enquanto o temperamento dos indivíduos pode esquentar, existe uma cultura geral de evolução pacífica ao invés de revolução violenta e pouquíssimas pessoas parecem interessadas em desistir disso. O que é uma ótima notícia.

Leia também:
“O Brasil não é para principiantes” – I/IV
“O Brasil não é para principiantes” – II/IV
“O Brasil não é para principiantes” – III/IV

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