Hortifrútis rejeitados ganham mercado

Alguns conceitos de qualidade de produtos postos para venda no mercado parecem estarem sendo mudados na Europa. As necessidades geradas por problemas econômicos estacionados na União Européia, estão fazendo mudar hábitos que se tornam cada dia mais caros e segregam classes do povo.
Parece que a ideia de cooperativa de consumo aqui objetivada e que ocorre em Portugal, seja o caminho para os demais países que encontram nas mesmas situações. Infelizmente o desperdício de alimentos “in natura” é muito grande nos quatro cantos da Terra. Padrões de qualidade são criados pela máquina da produção industrial e não levam em consideração as tradições e costumes rurais, que sempre valorizaram a atenção às necessidades básicas da pessoa e não a aparência do produto.
No Brasil, já se faz informalmente algo parecido, mais em caráter voluntário ou filantrópico.
Deveríamos pensar mais seriamente nesse exemplo. Talvez uma #ONG com representatividade a nível nacional. O País é muito extenso e casos isolados não refletem as benfeitorias geradas à comunidade.
Está aí uma ideia que poderia ser usada em todas regiões pelo nosso governo dito defensor das ideologias comunitárias.

#Falei!
Carlos Leonardo

Fonte: A Gazeta do Povo

Publicado originalmente no blog “Divagando a Notícia” em 24/06/2014.


 

 

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RAPHAEL MINDER – do ‘NEW YORK TIMES’ – 24/06/2014

Numa época de dificuldades econômicas para muitos na União Europeia, onde o afã regulatório se estende até aos formatos, tamanhos e cores dos alimentos consumidos por seus cidadãos, Isabel Soares apostou em um mercado para frutas e legumes que burocratas governamentais, supermercados e outros varejistas consideram feios demais para ser vendidos a seus consumidores. Há mais ou menos sete meses, Soares e alguns voluntários fundaram a cooperativa Fruta Feia.
A organização foi bem recebida pelos consumidores em dificuldades, aplaudida por setores indignados com o crescente desperdício de alimentos na Europa e representou um tapa na cara dos criadores das regras da União Europeia.
Discretamente, subverteu as ideias de praxe sobre o que é belo -ou pelo menos comestível. “As normas da UE se baseiam na ideia equivocada de que qualidade é aparência”, disse Soares, 31, que antes trabalhava em Barcelona como consultora de energia renovável.

As regras alimentares da Europa fizeram crescer o sentimento anti-UE, especialmente no Reino Unido, onde os tabloides ridicularizam os burocratas de Bruxelas por supostamente tentarem proibir “bananas tortas” ou “pepinos curvos”.

A cooperativa Fruta Feia tem uma lista de espera de mil consumidores e, desde sua criação, já vendeu 21 toneladas de alimentos em dois centros de distribuição em Lisboa. A associação tem 420 fregueses registrados. Eles pagam uma taxa de US$ 6,81 para se filiarem, mais o custo de sua caixa semanal de hortifrútis: US$ 4,77 por mais de três quilos de frutas e verduras. Soares contou que, num primeiro momento, foi difícil persuadir agricultores a lhe venderem seus hortifrútis indesejados. “Acho que alguns desconfiavam que eu fosse uma fiscal sanitária disfarçada.” Agora, porém, ela recebe um abraço de Paulo Dias, pequeno produtor familiar de Cambaia, a 72 quilômetros de Lisboa, e fornecedor da Sonae, uma das maiores redes de supermercados de Portugal. Seu sítio tem 7,5 hectares. De sua produção anual de 900 quilos de tomates, Dias disse que um quarto não atende aos padrões de qualidade da Sonae e seria jogado fora. A Fruta Feia compra os tomates indesejados por metade do preço pelo qual os produtores o venderiam aos supermercados. Dias comentou: “Me sinto bem por saber que meus tomates não são desperdiçados e que pessoas com pouco dinheiro têm a oportunidade de comer um produto tão bom quanto o que comeriam se pudessem pagar os preços do supermercado.”
O agricultor José Manuel Santos, da cidade de Mafra, estima que metade de sua safra de espinafre deste ano seria jogada fora porque as variações climáticas repentinas fizeram as folhas amarelarem. “O mercado decidiu que espinafre tem que ser verde, então estou tendo que jogar fora espinafre da mesma qualidade”, disse.

Quando os últimos fregueses estavam indo embora, Soares olhou para ver se ainda havia frutas nas caixas onde voluntários colocam alimentos que sobram, que os fregueses são incentivados a levar de graça. “Aqui, nada se desperdiça.”

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