Adversários políticos, “pero no mucho”

Lendo a reportagem do site G1 da Globo.com, inevitavelmente a gente chega a uma conclusão de que o que a Presidente afastada Dilma Rousseff está fazendo não é nada errado sob uma ótica lógica. Moralmente, são um absurdo suas tomadas de atitudes, face ao seu afastamento.

Vejamos bem, nosso sistema jurídico e nossas leis a autorizam a fazer tudo isso o que está fazendo, o que pode ser questionado são seus métodos e seus atos imorais, para uma Presidente. Devemos levar em consideração que ela não foi deposta, ela foi afastada temporariamente e isso lhe dá todo o direito de regalias e benefícios de uma Presidente na ativa, até que se julguem suas acusações.

O que está errado e é por parte dela, é a total falta de moralidade em seus atos. As acusações liberadas na mídia, as demonstrações efusivas de alegria por erros ocorridos no governo interino, comentários velados que vazam incompreensivelmente na mídia, o trânsito e negociações em campo aberto de votos no julgamento, disseminação de suas verdades em detrimento do poder ora instalado em países amigos a ela ou não, poder-se-ia considerar baixo decoro por parte da mesma e sua equipe.

Quanto a se reclamar de suas mordomias, não tem sentido algum uma vez que tudo o que ela está utilizando, foi autorizado pelo Senado. O erro inexplicável dessas autorizações é a não limitação desses direitos, não há parâmetros para se gerir uma possível extrapolação de uso. Uma vez que conhecidamente, é de costume sistemático o seu partido político usufruir ao máximo de seus direitos, esquecendo-se de seus deveres, ela utiliza-se comodamente de tudo isso e até reclama em altos brados se lhe tiram algo.

#Disse
Carlos Leonardo


Palácio da Alvorada vira ‘bunker’ de Dilma no primeiro mês de afastamento

Presidente afastada tem usado residência oficial como escritório de trabalho.
Com staff de 35 auxiliares, ela tenta buscar votos para barrar impeachment.

Fabiano Costa – Do G1, em Brasília

Dilma recebe representantes da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo no Palácio da Alvorada durante primeiro mês de afastamento da Presidência (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Dilma recebe representantes da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo no Palácio da Alvorada durante primeiro mês de afastamento da Presidência (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Dilma recebe representantes da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo no Palácio da Alvorada durante primeiro mês de afastamento da Presidência (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Afastada do Palácio do Planalto enquanto o Senado analisa o processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff transformou os 7,3 mil metros quadrados do Palácio da Alvorada em uma espécie de “bunker” do governo petista nos primeiros 30 dias longe do poder. Na residência oficial da Presidência – desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer –, ela elabora as estratégias políticas para tentar retornar ao comando do país, concede entrevistas e recebe os poucos aliados que se mantiveram fiéis mesmo depois do desmanche da gestão do PT.

Dilma teve de se afastar temporariamente da Presidência em 12 de maio, após ser notificada da decisão do Senado de instaurar o processo de impeachment. Na ocasião, os senadores  autorizaram que, durante o afastamento de até 180 dias, ela permanecesse no Palácio do Alvorada e mantivesse salário integral, segurança pessoal, equipe a serviço de seu gabinete pessoal, carro oficial, assistência saúde e o direito de utilizar avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

IMPEACHMENT NO SENADO

Segundo assessores palacianos, desde que foi afastada do Planalto, Dilma tem tentado manter uma rotina de trabalho semelhante aos tempos em que comandava o país. Ela continua acordando cedo, por volta das 5h30, e fazendo o tradicional passeio matinal de bicicleta pelos arredores do Palácio da Alvorada.

Ao retornar do exercício, a presidente afastada toma o café da manhã e, em torno das 9h, vai para a biblioteca do palácio, que se tornou uma espécie de “gabinete presidencial”.

Cercada pelos mais de 3,4 mil livros do acervo da residência oficial, ela despacha até a noite com assessores, ex-ministros e parlamentares aliados. Atrás de sua mesa de trabalho, está exposta a tapeçaria Músicos, do pintor, desenhista e ilustrador Di Cavalcanti, um dos ícones do modernismo brasileiro.

A petista, relatam auxiliares, continua exigente e ainda distribui broncas em sua equipe. Porém, apesar de Dilma ter sido afastada da Presidência com a debandada maciça de partidos que integravam sua base de apoio no Congresso Nacional, aliados que continuam frequentando a residência oficial relatam que ela, surpreendentemente, tem exibido um humor melhor do que quando estava no Palácio do Planalto.

“As pessoas chegam ao Alvorada como se estivessem preparadas para um velório, mas, ao chegarem lá, percebem que o morto está vivo. Ela [Dilma] está mais leve”, contou ao G1 um assistente da presidente afastada.

“O noticiário ajuda muito. As notícias ruins do governo Temer melhoram o humor dela”, ressaltou outro auxiliar do palácio.

Nas semanas em que está afastada do governo, Dilma tem tentado angariar apoio para evitar a aprovação do impeachment. Em uma das frentes de sua estratégia de defesa, ela tem repetido, por meio de entrevistas para a imprensa nacional e estrangeira, que não cometeu crime de responsabilidade e que é alvo de um “golpe”. Somente no último mês, ela concedeu entrevistas ao jornal “Folha de S.Paulo”, às emissoras CNN, Al Jazeera, TV Brasil, Rede TV e Russia Today, e ao site The Intercept, além de uma coletiva de imprensa para correspondentes estrangeiros.

A estratégia da petista também reservou no primeiro mês de afastamento espaço para conversas e encontros com grupos específicos de simpatizantes de seu governo, como artistas, cientistas, historiadores e representantes de movimentos sociais e centrais sindicais.

Dilma concedendo entrevista ao Russia Today (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Dilma concedendo entrevista ao Russia Today (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Irritação com Temer
Embora haja relatos de que Dilma não se abateu com a abertura do processo de impeachment no Senado, palacianos contam que ela teve explosões de ira no último mês com decisões do governo Michel Temer que limitaram privilégios presidenciais mantidos pelo Senado.

Uma das medidas do presidente em exercício que a fizeram reagir com indignação no Palácio da Alvorada foi a limitação de suas viagens com aviões da FAB. Com base em um parecer da Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, o governo restringiu ao trecho Brasília-Porto Alegre-Brasília os deslocamentos da presidente afastada com aeronaves da Aeronáutica.

Segundo o Blog do Camarotti, o presidente em exercício limitou o acesso de Dilma aos jatos da FAB porque ficou contrariado com as viagens dela para participar de eventos em que criticava o novo governo e o acusava de “golpista”.

Irritada com a decisão do peemedebista, a presidente afastada ameaçou na última semana embarcar em um voo comercial para viajar até Campinas (SP), aonde iria participar de um encontro com cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem).

Preocupados com a segurança de Dilma em uma aeronave de carreira, integrantes da equipe de assessores da petista negociaram com o PT o fretamento de um jato particular que a  levou ao município paulista. Ela ingressou na Justiça com um recurso para tentar derrubar a restrição do uso de aviões da Força Aérea.

Ainda de acordo com assessores do Alvorada, outros episódios que azedaram o humor de Dilma no último mês foram o corte do “cartão de suprimento” usado para comprar comida para a residência oficial e as recentes e frequentes quedas de energia elétrica no palácio. Segundo auxiliares da petista, a primeira falta de luz ocorreu já no dia em que ela foi afastada temporariamente da Presidência.

Conselheiros políticos
Na reclusão do Alvorada, Dilma Rousseff tem limitado a um grupo restrito de aliados o acesso à residência oficial. Os frequentadores mais assíduos do palácio têm sido alguns ex-integrantes do primeiro escalão do governo petista.

Ex-ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini tem se reunido diariamente com a presidente afastada. Os ex-ministros Miguel Rossetto (Trabalho), Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Carlos Gabas (Previdência Social) também têm acesso franqueado à residência.

O ex-chefe da Casa Civil e ex-chefe da gabinete Jaques Wagner, que voltou para Salvador depois que Dilma foi afastada, tem visitado a petista de duas em duas semanas. Ele continua aconselhando-a politicamente.

No entanto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – padrinho político de Dilma – continua sendo o principal conselheiro da presidente afastada. Desde que ela deixou o Palácio do Planalto, ele já a visitou três vezes no Alvorada. Os dois, contudo, conversam com frequência por telefone, traçando estratégias para tentar conter o impeachment no Senado.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversam no Palácio da Alvorada (Foto: Reprodução/TV Globo)
A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversam no Palácio da Alvorada (Foto: Reprodução/TV Globo)

Dilma também tem mantido canal direto e quase diário com um grupo de senadores que tenta atrair votos de colegas para evitar o afastamento definitivo da petista. Entre os senadores mais próximos da presidente estão Kátia Abreu (PMDB-TO) e Armando Monteiro (PTB-PE). Os dois eram ministros dela e votaram contra o impeachment no Senado, contrariando a orientação de seus partidos.

Os senadores petistas Gleisi Hoffmann (PR), Humberto Costa (PE) e José Pimentel (CE) se tornaram articuladores de Dilma no Senado, inclusive, mapeando para ela as tendências de votos dos colegas no processo de impeachment. Eles têm se dedicado a tentar reverter votos de senadores que votaram favoravelmente à abertura do processo, mas que sinalizam que podem mudar de ideia na votação definitiva do julgamento do impeachment.

Conhecida por sua aversão à articulação política, a própria Dilma tem recebido senadores indecisos no Palácio da Alvorada para tentar convencê-los que não cometeu crime de responsabilidade para ser afastada da Presidência.

“Ela [Dilma] nunca teve tanta paciência com essas articulações políticas”, comentou um assessor.

A elaboração da defesa jurídica e a busca de votos para barrar o processo de impeachment têm obrigado a presidente afastada, uma leitora voraz de literatura, a abrir mão dos livros. Em vez de devorar romances, ela tem lido mais documentos de governo, relatórios de gestão e peças jurídicas elaboradas por sua defesa. A presidente, contam auxiliares, faz questão de revisar pessoalmente todos os documentos redigidos por seus advogados.

Nos momentos de folga em Brasília, ela aproveita para assistir séries no Netflix no subsolo do Palácio da Alvorada. Já quando está em Porto Alegre, a petista corre para a casa da filha Paula para ficar com os netos Gabriel e Guilherme.

Fachada do Palácio da Alvorada, residência oficial dos presidentes da República desde 1958 (Foto: Reprodução GloboNews)
Fachada do Palácio da Alvorada, residência oficial dos presidentes da República desde 1958 (Foto: Reprodução GloboNews)

Staff do Alvorada
Atualmente, 35 pessoas atuam no staff da presidente no Alvorada. Desses, 20 já trabalhavam na residência oficial, como camareira, cozinheira e jardineiro. Depois que Dilma foi obrigada a deixar o Planalto, outros 15 assessores da petista passaram a despachar diariamente no palácio construído em uma península do Lago Paranoá.

O staff de Dilma na residência oficial é gerenciado pelo assessor especial Giles Azevedo, homem de confiança da presidente, que a acompanha desde que ela iniciou a carreira política no Rio Grande do Sul. Giles foi chefe de gabinete de Dilma no primeiro mandato dela na Presidência, mas depois virou um assessor especial.

Apelidado pelos colegas do Alvorada de “ministro do bunker”, Giles é alvo de um pedido de inquérito da Procuradoria Geral da República na Operação Lava Jato. Ele é suspeito de envolvimento no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Também passou a dar expediente na residência oficial o ex-chefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil Roberto Messias, que ficou conhecido nacionalmente, em março deste ano, como “Bessias”, após vir à tona conversa telefônica gravada pela Polícia Federal na qual Dilma informava ao ex-presidente Lula que tinha enviado um auxiliar com um termo de posse para que ele usasse em “caso de necessidade”.

Naquele dia, Lula havia sido anunciado para a chefia da Casa Civil. O auxiliar, que Dilma chamou no áudio de “Bessias”, era Roberto Messias. No Alvorada, ele tem auxiliado o ex-ministro José Eduardo Cardozo na defesa da presidente afastada no processo de impeachment.

Completam o staff de Dilma na residência oficial, assessores pessoais, assessores de imprensa, fotógrafo e auxiliares que atualizam os perfis da petista nas redes sociais.

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