Revivendo o velho médico amigo da família?

mobile2Lembro-me de quando era criança vivendo em uma pequena cidade do interior paulista, quando ficava doente meu pai ia de bicicleta (ele nunca teve um carro) buscar um médico ou um farmacêutico que já conheciam a família.

O atendimento desses profissionais era muito pessoal, chamavam-nos pelo nome, conheciam nosso histórico de saúde, as posses da família e ainda o nível de entendimento nas explicações do problema. Eu particularmente, sempre tive pequenos problemas de saúde, fraco e meio mirrado. Lembro-me de uma vez em que um médico que atendia em minha escola (isso não era muito comum, mas minha escola tinha um) receitou-me uma tonelada de penicilina injetável para aplacar minha constante inflamação de amígdala e depois de várias injeções tomadas e não conseguia mais andar, meus glúteos estavam como uma pedra.

Então um farmacêutico, muito amigo de meu pai, vinha à minha casa para aplicar as tais injeções e a cada dia que vinha, trazia um punhado muito grande de bolinhas de gude.

Lembro-me, um dia, ele chegou em casa e me disse que dali para frente não iria mais aplicar-me injeções, elas tinham acabado; disse que apenas viera para ver como eu estava me entendendo com as bolinhas de gude. Meio me arrastando, virei uma caixa de sapatos sobre a cama e caíram centenas de bolinhas para ele ver e ele riu até não poder mais parar, parecia-me tão feliz…

Fábio Tiepolo, CEO da Docway: ao final de cada consulta, o paciente avalia o médico - mas essas avaliações não ficam disponíveis para os próximos usuários
Fábio Tiepolo, CEO da Docway: ao final de cada consulta, o paciente avalia o médico – mas essas avaliações não ficam disponíveis para os próximos usuários

Cresci, mudei de cidade, fui trabalhar fora e um dia, de férias, passei pela sua antiga e imutável farmácia e vi que ele não estava mais no balcão. Perguntei por ele a um atendente e fui informado que ele já trabalhava mais, apenas seus filhos, também farmacêuticos. Conversei com eles e me levaram por uma porta dos fundos da farmácia e encontrei-o sentado no meio de uma sala/biblioteca. Quando me viu, riu muito, mas muito mesmo e perguntava sobre minhas tais bolinhas de gude.

Uma dolorosa e feliz estória que me veio à mente enquanto lia a reportagem da Revista Exame que pode ser considerada uma reportagem paga sobre um serviço mobile em que se seleciona e chama um médico para seu atendimento, em sua residência. Futuramente, se emplacado, isso pode gerar um relacionamento muito pessoal no sentido paciente/médico. Vamos aguardar…

#Disse
Carlos Leonardo

Matéria base:
Uber da saúde revoluciona com médicos que vão à sua casa

Fonte: abril.com.br


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