Discriminação, à parte

fila1Profissionalmente, sou oriundo de agência bancária e lá pelos idos de mil novecentos e oitenta, minha mesa de atendimento ficava muito próxima das famosas filas do caixa. Lembro-me que as agências abriam suas portas mais cedo para atendimento aos velhinhos aposentados. O fato engraçado disso tudo era que ao chegarem, os velhinhos, para dentro da agência, viam uma fila enorme, parada e aguardando o caixa iniciar seus trabalhos, reclamavam muito, comentavam entre si que esse banco não respeitava os pobres velhinhos que estavam na agência desde as seis horas da manhã na espera. fila2A agência por sua vez, abrindo mais cedo para atendê-los, abria as oito só para eles, os demais correntistas só iriam adentrá-la a partir das dez horas.

Em outros dias, esses pobres velhinhos também eram atendidos bem antes dos demais usuários, mas quando chegavam à agência e viam uma bateria de caixa quase vazia, espantavam-se e faziam questão de comentar com os presentes que fossem eles funcionários ou usuários, que algo estava muito errado com o banco, que provavelmente aquela agência iria fechar, que o governo poderia estar querendo encampar o banco, pois não havia movimento suficiente para que a agência permanecesse aberta, não tinha ninguém para atender. fila3Ocultamente, brincávamos nós por trás das alas que “essas eram coisas de velhos”, não conseguiríamos contentá-los de qualquer maneira.

Me recordei desses fatos em razão de pensar na correlação com os dias de hoje, em nossa maneira de conviver com as coisas que nos cercam. fila4Estamos constantemente reclamando de tudo, nada nos satisfaz, pode ser no trabalho, nos relacionamentos, no custo de vida, na política, na religião, na relação com nossos filhos, e vai…

Clientes afirmam que reclamações por Twitter são rapidamente respondidas pelas empresas
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Nunca chegaremos a lugar nenhum com um consenso. Hoje em dia há mais um fator incrementando ao já dissentido mundo em que vivemos que podemos chamar de “despertar da consciência de gênero”.

Não se faz mais nada no Brasil que não tenha sido passado e aprovado pelo crivo da diferenciação dos gêneros, que antes eram dois, masculino e feminino, hoje em dia são tantos e incertas suas definições que é quase impossível não estarmos em contradição com algum deles, no que ou como fazemos. Estamos mudando nossas estruturas sociais a uma velocidade tão grande que em nossa maioria, nos tornamos quase à margem dessas mudanças. Nossos cérebros não conseguem assimilar e aceitar tantas mudanças e variações para coisas que a nós antigamente, eram óbvias.

29#Disse
Carlos Leonardo ˄˅


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