A última jaca apodreceu…

jaca1Uma jacazinha feia, mas muito criativa e cheia de ideias, resolve abandonar suas terras e vir ganhar dinheiro na CEAGESP em São Paulo. Como era muito converseira, durante a viagem descobriu que na CEAGESP teria que trabalhar muito e que com muito suor, pouco ganharia, não ficaria rica. Mas tinha comprado passagem para o entreposto e o que faria? Não tinha o que fazer. Mas sorte é sorte! E eis que descarregada nos armazéns do entreposto ouve o som de uma chuva torrencial, era só água e mais água. Quando dá por si, está flutuando nas águas do Rio Tamanduateí em direção à bifurcação com o Tietê. Como descobriu em sua estadia na CEAGESP que o “olho do dinheiro” estava do outro lado da cidade, no ABC, nada então com todas as suas forças pelo Tietê até Mauá e de lá voltaria para o ABC.

jaca2Agora instalada na região, começa a trabalhar em uma empresa. Com o dom de falar, falar e falar como se entendida em tudo fosse, começa a juntar uma porção de outras frutas, legumes e hortaliças ao seu redor, começa a se sentir uma líder e elas a adoram. Mas o infortúnio chega e numa fatídica manhã de uma noite mal dormida, uma de suas máquinas arranha-lhe a sua feia casca e deixa-lhe uma cicatriz ainda mais feia. Ela seria para sempre uma marca, uma marca que a identificaria perante outras frutas falantes. Não podendo mais trabalhar porque ficou ainda mais feia, a jaca reúne seus adoradores e cria uma entidade que os representassem ante os patrões, nas fábricas.

Por mais que aspirasse ao sucesso, a situação a surpreendia cada vez mais; mais e mais frutas, legumes e hortaliças se juntavam às conversas da jaca e a defendiam com “unhas e dentes” ante as pessoas que eram contra suas ideias na época. A jaca saiu às ruas capitaneando seus seguidores, brigou, queimou tudo o que viu pela frente, bateu e apanhou de polícias e sua popularidade explodiu num país de trabalhadores que não conseguiam pensar como a jaca.

jaca3Seu poderio colocava-a no topo da política nacional como a expoente maior da esquerda proletariada. Suas ideias transbordaram as divisas da nação e o mundo arquejou-se ante a presença da jaca e sua cicatriz marcante. Suas ideias delirantes convenciam políticos e empresários a se juntarem à jaca, fez muitas coisas boas pela humanidade e o mundo reverenciava os feitos históricos da jaca. Da mesma forma que sua fama crescia uma corrente de pensamento tradicionalista também tomava formato e começava a buscar erros e falcatruas feitas pela jaca em sua decolagem.

Como todo rojão em sua rápida subida, a jaca deixa rastros que podem ser seguidos. Erros e falcatruas visíveis aos contrários e ferrenhamente negadas pelos seguidores começam a manchar e levantar questionamentos sobre validade e viabilidade dos feitos produzidos pela jaca. E por mais que lutasse, a jaca via seus feitos sendo desmoronado um a um, seu “status” de personalidade mundial estava se desfazendo, seus adeptos formaram milícias para defender seu ídolo, a jaca. jaca4Novamente se via na nação embates laudatórios e físicos entre os prós e contras às ideias da jaca. Passava então a jaca ser uma fruta indesejada, uma fruta que cheirava gostosa, mas por dentro era nojenta, ruim de engolir e que não satisfazia as necessidades do povo, só de suas frutas, legumes e hortaliças adeptas.  A jaca apodreceu.

E agora resta um dilema para a nação, jogar a jaca em um cesto e deixa-la definhar-se até morte suportando os levantes e destrutivas manifestações “et caterva” ou enterrá-la de vez para encerrar essa fase da história e correr o risco de transformar a jaca em a santa da nação, santificada pelas frutas, legumes e hortaliças adeptas.

#Disse
Carlos Leonardo ˄˅

 


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