Depois de um passeio a pé pelo centro

Depois de muito tempo sem o fazer, resolvi hoje de manhã, deixar o carro na garagem e desci a pé para o centro da cidade. É saudável sentir o contato direto com pessoas, cumprimentando e sendo cumprimentado, sem o isolamento metálico refrigerado do interior de seu carro.

Sempre gostei de observar pessoas, não sei bem porque, mas gosto de fazê-lo sempre que posso. Caminhando, você encontra com tipos humanos extremamente diversificados tanto físico, como comportamental. São simples transeuntes, pedintes, e uma classe que está explodindo na maioria das cidades, os andarilhos. Uns lhe pede uma ajuda para uma finalidade que não convence ninguém, outros lhe faz uma piada idiota, um comentário infeliz e sem momento, outros tentam vender o que não se compra.

Isso tudo é um cenário a que já estamos acostumados e não nos fere, nem nos sensibiliza com sua existência. Porém, à medida que vamos chegando ao grande centro, a realidade vai ficando pior, o que vemos são amontoados de pessoas pelas calçadas, numa mistura cheiros fortes de suor e álcool. São lamentos, são tentativas de venda de qualquer coisa, coisas insignificantes e sem propósito algum. Cada um busca um apelo forte para convencê-lo a dar alguma moeda, chegam a exageros que nos dão repugnância em vez de pena.

Quando se sai de um ambiente assim tão carregado de maus fluídos, nos sentimos exaustos e sem uma definição de como encarar alguns quadros que nos ficaram à mente. Pela complexidade do ser humano, nos é impossível criar uma opinião definida com relação ao quadro em nossa frente. Mesmo não admitindo, navegamos em ondas de ira, de desprezo ou de pena ante a representação às vezes, teatral de uma tragicomédia.

A situação no País está estarrecedora em termos de trabalho, sabemos disso muito bem, porém, é inevitável questionar se uma pessoa está realmente desamparada profissionalmente ou simplesmente é uma acomodação de situação. É mais fácil pedir que gerar renda, não é? E quando se perde a vergonha e a honra de gerar seus próprios recursos, isso fica muito fácil…

#Disse
Carlos Leonardo ٨٧

Para você, um “Convite à Prosa…
“Será que queremos mesmo arranjar um emprego?”

 

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